Dançar as Emoções

Dançar as Emoções é um projecto conceptual, que surgiu no âmbito do curso de Fotografia de Performance da EIFE – Escola Informal de Fotografia de Espetáculo, com coordenação e mentoria da fotógrafa Susana Paiva e em parceria com a Companhia de Dança da Olga Roriz no Palácio Pancas Palha em Lisboa. As imagens foram criadas em contexto do Projecto de DANÇA COMTEMPORÂNEA +55 ANOS de Rafael Alvarez | Bodybuilders.

A criação das imagens, apesar de ter sido em contexto Bodybuilders teve, desde o inicio, como mote, a Terapia através da Dança. Este conceito permite ao ser humano reconstruir-se ou até curar-se através do movimento livre, ou seja, movimento não técnico e não ensaiado. São dadas sugestões pelo(a) facilitador(a) da sessão e cabe aos(às) “bailarinos(as)” improvisados(as), criarem os movimentos consoante o que sentem ou o que necessitam expressar, para se conhecerem melhor ou mesmo trabalharem conscientemente alguma faceta que desejam melhorar em si, podendo existir espaço para catarse emocional.

Gabriela Silva trabalhou a narrativa dentro da narrativa. Onde, a partir da acção não ensaiada que decorria à sua frente, procurou passar para formato fotográfico o processo individual e grupal que decorre numa sessão de dança-terapia, usando em paralelo as cores como guia visual. A história desenrola-se entre duas linhas orientadoras: a côr das roupas das pessoas envolvidas e as figuras individuais que evoluem dando espaço para o grupal. Do aspecto grupal voltamos novamente ao ser individual e à sua busca de catarse emocional através do movimento livre. Temos assim duas viagens paralelas: através das cores individuais constrói-se a narrativa colectiva.
A narrativa fotográfica do “Dançar as Emoções” convida assim a mergulhar no movimento que é a criação duma sessão de dança-terapia, em que há um principio, um meio e um fim. Temos seres humanos com corpos cheios de estórias de vida, que, ao criarem os movimentos por interpretação das sugestões que lhes foram transmitidas, fazem a sua própria asserção do que aquilo os faz sentir. É esse sentir que vai guiar os seus membros, o seu corpo já velho e frágil, o seu sentir, as suas emoções, em busca de uma catarse e de um auto-conhecimento ainda não consolidado.

“Dançar as Emoções” começa assim com um ser individual fechado em si mesmo. Desenrola-se por entre buscas individuais e grupais culminando num outro ser individual ladeado pelos seus companheiros da dança introspectiva. Mas, este, já com os braços abertos numa metáfora à libertação e reconhecimento das emoções através da dança, sem descurar a viagem pela côr que cada pessoa veste e assim nos presenteia, quase como que se novas personagens entrassem em cena consoante a sua dança de emoções reflectisse a sua própria catarse.

Tempo é Arte, fecha os olhos e ouve as melodias que se despertam por dentro enquanto te moves livremente.
Gabriela Silva