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Local:  Jardins da Fundação Calouste Gulbenkian
Máquina Fotográfica: Canon 100D
Lente: Canon EF 50mm f/1.8 STM
Abertura: f/1.8
Velocidade: 1/80
ISO: 100

Um bom filme é que aquele faz sentido qualquer que seja o ano ou a década

Existem filmes que constituem em si mesmos um conjunto de camadas que funcionam como se fosse um jogo de níveis, em que a cada ano ou década que vivemos e consoante as aprendizagens a que somos expostos lá conseguimos desbloquear mais um nível. O filme é o mesmo, o nosso entendimento sobre ele é que mudou na mesma medida das nossas vivências e compreensão atenta acerca do que nos rodeia. Um desses filmes para mim é o “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”.

Causa Efeito 

A fotografia que dá cara ao post foi feita num momento de impulso. Estava eu a olhar para as fotografias que tinha coleccionado no seio de uma aventura para o desafio 4 (a tentar perceber se o meu desafio do dia estava a surtir efeitos) quando olho para a frente (tenho tendência para esquecer o mundo à minha volta quando ando com a máquina e sozinha) e não é que me salta à vista um jovem casal de mão dada e a miúda tem um longo cabelo azul penetrante. Tipo um uauuu moment, estão a ver?! De imediato peguei na máquina para congelar aquele momento e duas coisas desastrosas aconteceram:

  • primeiro: o meu cartão de 32GB revolveu não bater bem da cabeça naquele dia, então com pouco mais de 10 fotografias dizia que estava cheio e lá tinha eu de apagar algumas para ter espaço.
  • segundo: as pessoas andam sempre muito depressa quando estas coisas acontecem, é como que de repente tivéssemos a sensação que a terra começa a andar a uma velocidade estonteante e nós (os que estão em apuros) ficamos agarrados ao mesmo exacto sitio, imóveis, vendo o resto a mover-se.

Consequência: o frame que vi diante dos meus olhos quando levantei a cara da máquina fotográfica, já lá não estava. Estava o que se seguiu no fim de desbloquear os dois pontos acima, não é igual ao que vi naquele momento onde só o casal se destacava mas lá está..fotografia é história vivida certo?

Teoria do Caos é o meu Determinismo

Esta minha inesperada aventura e o facto de a imagem que consegui reter me ter relembrado o “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, surgiu-me quase como uma analogia. Passo a explicar: o filme começa com uma grande confusão, desenrola-se por entre imensas situações de causa-efeito (quase ao sabor de um determinismo filosófico que tem por base a teoria do caos), e só no fim nos apercebemos que a história se repete e a lição do dia está a ali ao nosso alcance. E foi precisamente isso que senti no momento de frustração quando me apercebi que o cartão de memória já me tinha presenteado com tal cena no passado, e eu voltei a repetir o mesmo ciclo esperando resultados diferentes.  Quiçá, desta feita a lição ficou aprendida!

Quando começo um post, inicio-o com uma ideia – a minha “causa”, algo que me despertou atenção e sobre qual tenho de escrever tendo uma imagem como representação visual, mas o fim – ou efeito, esse, nunca sei qual vai ser. Não é algo determinante. É sim uma teoria do caos que se vai construindo à medida que as palavras fluem e as ideias de uma vivência se tornam mais concretas e claras. É de certo modo interessante, intrigante e onde a adrenalina deste meu hobby me enche de criatividade e vontade de continuar – ou como diz uma das músicas do filme “Everybody’s Gotta Learn Sometimes”.

Gabriela