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Local: Colosseo Roma, Itália
Máquina Fotográfica: Diana F+
Rolo: Lomography Earl Grey B&W 100 ISO 120

Um video, mil imagens, uma mensagem

As inspirações estão em todo lado, até a conduzir sou bombardeada com imagens – a luz do nascer do sol a iluminar uns prédios, do pôr do sol a dar vida a pessoas a passarem na rua ou prédios que ganham uma cor vibrante, um bando de pássaros de resolve mudar de direcção e eu continuo no trânsito – enfim, estão a ver a ideia certo?

Mas desta vez, o mote para este texto foi um video do youtube que me lembrei de rever. Chama-se “One Last Frame”. Há algo de particular e singular que este realizador conseguiu passar para video. Detém uma simplicidade e expressão completas que retêm o olhar e dão vontade de parar para – viver a fotografia.

Vou ali a Roma e já volto

Foi mais ou menos assim. Como tantas outras vezes, esta foi uma viagem com planeamento de última hora. Pela altura que me perguntaram: “Queres ir até Roma?”, estava eu a pensar em fazer um “Getting Lost” por terras lusas, mas que tinha eu a perder? Talvez a ideia pré-concebida de Roma não me atrair por ser uma cidade cheia de turistas e confusão e mais não sei o quê – como outras cidades que tal – no entanto, a cidade não tem culpa do que fizeram dela e merece que eu me deixe de preconceitos e ideias feitas. E assim foi, “Bora lá dar um salto a Roma!”. Não querendo entrar no terreno descritivo dos blogs de viagens, fico-me por isto: é uma cidade de contrastes e vi o papa! Yeah…

Aquele frame

Para esta viagem decidi levar a minha máquina digital compacta e a Diana F+ com um rolo B&W. Porquê? Porque sim, apeteceu-me andar mais a viajar e menos a fotografar. Levei o rolo que tinha na Diana na altura, um Lomography Earl Grey B&W 100 ISO 120, não tirei muitas fotografias pois também não as tinha disponíveis. Das que tirei nem todas consigo ver efectivamente alguma coisa, e das que consigo ver só gosto de duas. Complicada esta vida da fotografia analógica. Os anos e o digital fazem-nos esquecer da finitude de oportunidades que um rolo fotográfico nos pode proporcionar.

A minha fotografia favorita é a que dá cara a este post. Se a fotografia está perfeita? Se é a fotografia que melhor representa Roma? Não sei. Tecnicamente falando provavelmente não, mas está perfeita para mim. Sabem porquê? Porque representa “aquele” momento da viagem, englobando assim os vários elementos que o constituiram. Das várias ruas, das comidas (maravilhosas), das pessoas e das mais variadas vivências contrastantes que tive naquele curto espaço de tempo, foi aquele monstro sólido e frio que se ergueu na minha frente quando saí do metro que obrigou o tempo a parar por uns segundos para eu reter com o olhar aquela imagem. E depois foi tudo o que se passava ali à volta. O rodopio de turistas e os locais (de gema ou de passagem) a vender os mais variados produtos e serviços. A luz que passava pelas colunas fazendo mostrar a sua silhueta e esplendor. E ali continuava o coliseu – imponente, seguro de si mesmo com a sua inquestionável postura há séculos. Já tanto viu, já tantos o viram, já tanta história se escreveu em sua volta tendo-o como personagem principal.

One last frame…or maybe not..

Tenho um rolo Lomography Color Negative 100 120 retirado da Diana F+ por mim há já uns dias. Está enroladinho com a palavra “End” duplamente repetida quase como uma chamada de atenção que as 12 frames foram ocupadas por imagens retidas no seu filme, estando agora à espera de serem reveladas. Tinha como plano o mandar revelar no passado fim-de-semana, mas não o fiz por alteração de planos. E agora, estou como que com antecipação e nostalgia de o ver sair de cima da minha secretária. Contra-senso, tendo em conta que no passado fim-de-semana enchi um cartão de 32GB mais um pouco de outro com fotografias digitais em poucas horas (estamos a falar de mais de 300 fotografias em alta resolução). E este rolo de 12 fotografias durou um dia inteiro. A diferença? No digital sei que posso sempre testar mais e uma outra vez, carregar no botão é mais fácil e mais técnico já no analógico só se carrega no botão quando assim faz sentido. Tem de se sentir algo para se pegar na máquina.

Queres simular o que o video do youtube fala? Simples, deixa a tudo que seja digital para trás por um dia. Deixa o telemóvel no bolso (em silêncio e sem dar sinal de notificações e coisas que tal) e a vai a uma loja e compra uma máquina descartável. Perde-te pelos recantos da tua cidade, leva-a para um jantar com quem gostas, usa esse rolo em momentos que queiras efectivamente recordar e depois…depois carrega no botão e vai revelar as fotografias. Se o resultado não for extraordinário, não faz mal, de um rolo fica a experiência e com sorte uma imagens para recordar e partilhar.Gabriela