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Local:  Passeio Marítimo de Oeiras
Máquina Fotográfica: telemóvel OnePlus X
Lente: 3.79 mm
Abertura: f/2.2
Velocidade: 1/2391
ISO: 100

“Mas eu ainda não as vi!”

Este foi o pensamento que me ocorreu ontem, quando tive de dar o meu cartão de memória com umas quantas fotografias que orgulhosamente tinha tirado, durante o percurso de uma fotomaratona.

Tudo começa com um verbo – Fotografar

Comecei o dia cedo e empolgada com o desafio que tinha pela frente – “Maratona Fotográfica da Fnac Oeiras-Cascais 2017” no dia de Portugal. Maravilhoso!, e ainda por cima o tempo estava fantástico. Claro está que no banho matinal, mil e uma expectativas em jeito de perguntas retóricas tomaram forma de pensamento na minha cabeça: Qual seria o tema? Quais seriam os pontos a fotografar? Será que o grupo, seria composto por uma data de experts que sabem todos os bits e bytes da tecnologia fotográfica? Conseguirei eu estar inspirada, e com tempo para criar as minhas fotografias? ….e isto continuou e continuou. Até que a água da torneira teve o seu fim, e com a última gota veio o último pensamento: “Fotografar todo o dia, vai ser brutal!!!”

Passar por outro verbo – Vivenciar

Mas que agradável surpresa, excelente evento que a Fnac proporcionou (e não, não tenho qualquer patrocínio, mas há que reconhecer quando as coisas são feitas com vontade e qualidade). Os pontos e novas pistas foram surgindo ao longo do dia, tal como o sol quente e as fotografias que por inspiração dos ambientes e circunstâncias fui tirando. Em jeito de brincadeira, até uma foto minha me tiraram, numa figura que quase parecia mais um manequim de loja do que uma pessoa em juízo perfeito que anda a tirar fotos por puro e simples prazer de registar momentos. Bela figurinha a minha! Nota: a bela Rolleiflex não me pertence, estava apenas a guardar cuidadosamente.

O desafio do terceiro verbo – Ver

Ou melhor, não ver. Sabem aqueles momentos em que fazemos algo e sabemos que estamos a criar uma coisa onde a curiosidade de ver o resultado vai crescendo a cada minuto que passa? Pois bem, era o meu sentimento. Apesar de estar extensamente cansada com toda aquela aventura terrestre e marítima, havia algo que se sobrepunha. Estava a imaginar chegar a casa e descarregar as fotos, para pelo menos lhe dar uma vista de olhos rápida, antes de aterrar completamente na cama. Mas não, segundo as normas do regulamento, tinha de entregar o cartão de memória antes de poder ver as minhas criações. Fossem elas extraordinárias ou para apenas para premir “delete“, eram minhas e ainda não as tinha visto. E pior ainda, alguém as pode ver antes de mim. Raios!!!! Como é possível, só ser assaltada com esta ideia na era digital? É que com 3 décadas de existência, sou ainda do tempo em que este processo era a realidade: A) tirava as fotos, B) levava o rolo à loja, C) esperava pacientemente,.. e só passados uns quantos dias poderia ver o resultado. Sim! Não podia ver, logo, no imediato da coisa. E, perante isto, dou comigo a pensar que não deixa de ser engraçado, e até um pouco (ou muito) irónico, que na era em que tudo é imediato me sinta assaltada por sentimentos de ansiedade, controlo ou falta dele, por não poder ser eu a primeira a ver o que criei.
Com alguma relutância, e após ter prestado atenção ao desprendimento dos outros, no seu processo de darem os benditos cartõess de memória como prova de não quebrarem as regras. Lá tirei o cartão da minha máqiuina dei-o aos organizadores. Quanto à Diana (a minha máquina da lomografia), essa também ainda não vi o resultado. Mas pronto, as imagens por esta criadas então naturalmente cravadas num rolo à espera que a luz e os produtos químicos as relevem.

E por último – Surpreender

Ultrapassada toda experiência, e ainda com o doce sabor do tempo passado, inesperadamente, hoje de manhã o meu telemóvel resolveu-me surpreender. Sim, assim como que em forma de prenda em manhã de natal, recebi uma notificação que dizia: queres ver o que fizemos com a tua fotografia? E eu, curiosa como sou, claro que abri a notificação para encontrar uma fotografia que tirei com o meu telemóvel. Tinha sido num momento repentino e inesperado durante o percurso da maratona, que me fez parar fisicamente e absorver aquela imensidão de mar e afectos. A imagem simples do mar e cães a banharem-se, enquanto dois homens saboreiam o quente do sol e o salgando das ondas. Desta feita, e como que por magia, não encontrei a imagem que sabia ter criado onde o profundo azul do mar se juntava com o azul sonhador do céu como se fossem só um; mas sim, brancos e pretos profundos que retiveram o meu olhar por uns bons minutos.

Gabriela